
É claro que o candidato que sempre defendeu o cigarrinho de artista teria o apoio em peso de atores globais e eleitores “legalize” da orla carioca. O mais difícil para Gabeira era convencer os conservadores de que suas idéias vanguardistas em relação às drogas e ao mercado do sexo não transforariam o Rio em uma Amsterdã de terceiro mundo.
Ele quase conseguiu. Gabeira não foi eleito para prefeito do Rio, mas teve uma vitória política ao perder por apenas 1% dos votos.
Entre outras razões, como o apoio queima-filme de Cezar Maia, essa pequena diferença pra baixo pode ter sido um erro de marketing político. Pelo pouco que acompanhei, Gabeira poderia ter se mostrado um pouco mais enérgico em alguns momentos, pois foi justamente sua atuação contra Severino Cavalcante que o fez um candidado forte nessas eleições. Outra vantagem seria não depender tanto dos votos praianos da Zona Sul, onde muitos eleitores preferiram viajar a comparecer nas urnas.
É uma pena. O Rio, que está mais queimado no país do que baseado em show de reggae, acaba de perder uma ótima oportunidade de discutir abertamente seus graves problemas, sem falso moralismo.
Ao levar Gabeira ao invés de Crivella para o segundo turno o Rio provou que tem mais cidadãos cosmopolitas do que fundamentalistas religiosos. Mas não foi o suficiente. Gabeira perdeu no segundo turno por uma pontinha.
Para os sonhadores só falta agora o Obama perder para o Mccain. Aí vai ser decepção demais para um ano só.
Acenda um incenso e assista sossegadão a um pouquinho do programa eleitoral do Gabeira.





