Ironize o sexo oposto, ironize seu país, ironize a arte e a cultura. Mas nunca ironize o bebê de uma mãe. No último dia 14, milhares delas se uniram virtualmente para tirar uma campanha da Johnson & Johnson que circulava na Internet.
Para divulgar o Motrin, uma linha de remédios contra dores musculares, a agência Taxi de Nova York comparou os suportes para carregar bebês junto ao corpo com acessórios fora de moda, utilizados apenas por mulheres masoquistas que querem parecer mais mãe do que as outras.
Feio! Mamãe vai dar palmada na J&J, foi o que pensou a blogueira Jessica Gottlieb, com mais de mil seguidores no Twitter. O protesto chegou até Katka Presnal, com mais de quatro mil e duzentos seguidores. Ela editou um vídeo de nove minutos com mensagens de protesto de mães de todo o país e colocou no Youtube.
Resultado: uma bola de neve, com milhares de visitas ao vídeo e um pedido formal de desculpas da J&J, que tirou o site da campanha do ar em menos de 48 horas depois da explosão do motim.
O caso, noticiado apenas essa semana nos meios de comunicação voltados para publicitários, dá um exemplo do desafio que agências e clientes terão cada vez mais de enfrentar nesse novo século, onde o consumidor que antes era passivo diante da TV, hoje tem voz ativa na Internet.
Vale lembrar, no entanto, que não gostar de um comercial é super comum. Nem sempre quem vê o anúncio é o público-alvo do produto. Assim, um homem podem achar fútil um anúncio de shampoo feminino e mulheres podem achar bobo o efeito Axe. As empresas precisarão de coragem e estratégia para lidar com as críticas aos seus produtos e campanhas. É preciso saber onde se quer chegar. Como diria a vovó: “Nem papai do céu agradou a todos.”
Nos comentários que estão no Youtube, podemos ver que muitos internautas não viram nada de ofensivo e acham que essas mães não têm mais o que fazer da vida...
Sei que agora é fácil falar, mas acho que localizei o erro: usar um humor sarcástico para uma situação onde não costuma existir sarcasmo. Você já ouvir falar de guerra dos sexos, rivalidade entre tribos urbanas, briga de papai com mamãe, mas nunca de rivalidade mãe x bebê. Os publicitários da Taxi descobriram que ironia e modernidade têm limite. No caso das mulheres, esse limite parece se chamar maternidade.
O polêmico comercial de Motrim, da Johnson & Johnson.
Isso é para você aprender a não falar assim com a mamãe...
domingo, 23 de novembro de 2008
sábado, 15 de novembro de 2008
Gerações CD e MP3 se encontram no Planeta Terra

Aconteceu no último sábado o Festival Planeta Terra, festa do famoso provedor da Telefônica. Se a internet fosse tão boa quanto a festa, teríamos um ótimo acesso banda larga aqui em São Paulo.
Fui esperando diversão na seqüência Offspring - Bloc Party - Kaiser Chiefs. A aposta valeu a pena.
O show do Offspring foi nostalgia pura, fazendo a platéia lembrar daquela época remota em que ouvíamos música em CD players. O guitarrista usava uma camisa do Ronaldo e simulou até uma pancinha para alegrar a galera. Sorte do fenômeno que a zoação não envolveu travestis.
Bloc Party entrou na seqüência, pediu desculpas pelo playback no VMB e bem que podia ter tocado mais músicas do primeiro álbum, um dos melhores da era Ipod na minha opinião. Mesmo assim, as poucas de “Silent Alarm” valeram o ingresso.
Com hits como “Everyday I love you less and less” e “I predic a riot”, o Kaiser Chiefs foi responsável pelo grand finale no palco principal. No melhor show da noite, o vocalista ganhou o público ao se jogar na galera logo na primeira música e ao conversar em um português maluco anotado em uma folha de papel. Quem estava eventualmente com sono, acordou de vez para o último show.
A festa ficou mais legal graças a Vila dos Galpões, a fábrica desativada que abrigou o evento. Cartazes das bandas colados em um despojamento bem planejado deixaram o ambiente perfeito. O evento foi organizado pela B/Ferraz, a mesma agência de eventos responsável pelo Skol Beats esse ano. Conheça o site deles aqui e, se quiser, leia o post que eu escrevi sobre o festival da Skol.
Já que falamos em internet e era mp3, outra coisa legal hoje em dia é procurar no Youtube as gravações amadoras no dia seguinte aos shows. É ótimo pra lembrar. Escolha a sua banda favorita e aumente o som!
“Everyday I love you less and less” - Kaiser Chiefs
“Pretty Fly” por uma câmera caótica - Offspring
“Banquet” - Bloc Party – Não é linguagem cinematográfica de clip indie. É falta de resolução da câmera mesmo.
terça-feira, 4 de novembro de 2008
Especial Obama - Sim, nós merecemos

Barack Obama foi eleito anunciante do ano pela revista Advertising Age, ultrapassando todas as companhias multinacionais. Essa é uma campanha que entrará para a história não apenas pelo candidato em si, mas também por ser um marco do marketing nos Estados Unidos e no mundo.
Todo o trabalho de construção de marca em torno do candidato é de qualidade e abrangência inéditos. É de deixar Nizan Guanaes e Duda Mendonça com inveja. Vejam só:
Logotipo – O logotipo acima, na minha humilde opinião de redator, é o melhor feito para um candidato até hoje. O círculo associa imediatamente ao “O” de Obama. A parte de dentro do "O" é também um sol, uma luz no horizonte, símbolo de esperança. Abaixo desse sol vemos a terra americana como um campo fértil e próspero. Não, não estou viajando, o logo é bom mesmo. Foi criado em uma parceria entre o estúdio mo/de e a consultoria de marcas Sender LLC.
Slogan – “Change we can believe in” (A mudança em que podemos acreditar) – Após oito anos de era Bush, os americanos estavam convencidos de que era preciso mudar. Mas não poderia ser qualquer mudança, afinal o ego americano não acredita que está totalmente errado. Obama é a mudança em que podemos acreditar, ou seja, uma mudança segura, mesmo sendo uma “novidade” em termos de candidato: jovem, negro e com nome árabe.

Lema da campanha – “Yes, we can” – A frase mais falada dos Estados Unidos esse ano: “Sim, nós podemos”. É uma escolha inteligente. A frase transforma o poder em algo coletivo, evoca a participação de cada americano. Soa como uma versão simplificada e “grudenta” da famosa frase de Kennedy: “Não pergunte o que o seu país pode fazer por você, mas o que você pode fazer pelo seu país”. O próprio Barack proclamou uma versão adaptada e genial da frase de JFK: “Somos as pessoas por quem estávamos esperando.” “Yes, we can” deixa claro que não é ele (Obama) que pode mudar o país, mas todos os americanos juntos. É também, subjetivamente, uma frase libertadora: “Sim, nós podemos eleger um candidato tão diferente.”
Internet e Redes sociais – É na utilização das redes sociais que a campanha de Obama mais se diferencia de outras na história. O site é impecável e foi o principal canal de arrecadação de verba para a campanha. Foi construída até uma rede social própria, uma espécie de “Orkut do Obama” em http://my.barackobama.com
Considero Obama o maior sucesso de construção de marca do início do século 21, ultrapassando até mesmo a Apple e o Ipod de Steve Jobs. O responsável pelo trunfo é outro cara genial: David Axelrod, o “marqueteiro” do ex-senador, costurou toda a estratégia e posicionamento de marketing do condidato. Um cara que pouco aparece e que como até agora não se tem notícias de que tenha envolvimento com brigas de galo, deve continuar nos bastidores.

Barack Obama e o “marqueteiro” David Axelrod
Evidentemente esse sucesso não seria possível sem um bom produto. Não digo do político ou da pessoa Obama, porque não temos base para julgar ainda. Falo do fato de Obama ser considerado um dos maiores oradores desde JFK e Martin Luther King, arquétipos que parece fundir e representar. Seja recitando o texto escrito por um “marqueteiro” ou feito de próprio punho, o que importa em propaganda é a percepção e o impacto que a mensagem é capaz de causar no público.
Chegamos ao fim da era Bush. Para comemorar, nunca é demais assistir ao vídeo de “Yes, we can” legendado em português. Um clip liderado pelo rapper Will.I.Am da banda Black Eyed Peas, feito a partir de um discurso do agora presidente. Mais uma grande sacada de marketing da campanha de Obama, que deixa claro o posicionamento pós-racial de unir toda a diversidade dos Estados Unidos de hoje.
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